domingo, 23 de dezembro de 2007

O amor que não era nada romântico - Parte II

Começo então um ritual. Olho novamente a capa. Paquero brevemente Drummond. Abro-o. Uma imagem meio abstrata. Viro a página. “O amor natural” - não existia título melhor para um livro de poesias românticas. Passo algumas outras, e chego ao índice: Amor – pois que é palavra essencial”, era a primeira poesia.

Depois de longas 12 páginas, consigo alcançá-la, enquanto isso, um arrepio corria-me pela espinha junto com uma gigantesca ansiedade. Eu não via a hora de matar um pouquinho a saudade do amor que ficou em Rio Branco, afinal, poesia romântica é um abraço quente, um beijo carinhoso e bonitas palavras ditas baixinhas ao ouvido.

“Amor – pois que é palavra essencial”, título e primeiro verso do poema que continuava: “...Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro e vulva...”...

Interessante, segui para a outra estrofe: “...Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito? É, bonito....

“Ao delicioso toque do clitóris, já tudo se transforma, num relâmpago”, dizia outra estrofe. “Vai a penetração rompendo nuvens e devassando sóis tão fulgurantes”, começava outra...

- Ah, peraí, não é isso que eu quero ler – virei a página: “Amanhã é setembro, e ela me beijava o membro”, iniciava-se outra poesia. - Hãm? - Passei algumas páginas, cheguei num desenho de uma mulher desnuda ao lado do título: “O que se passa na cama”, virei a página, “A moça que mostrava a coxa”, de repente virei um monte de páginas seguidas e acertei: “No mármore de tua bunda”.

E então eu fiz cara de “...” e me peguei nua, num banheiro de hotel, gemendo com um livro de poesias eróticas! Depois de olhar em volta e ter certeza que estava realmente só, a minha reação não podia ser outra, eu ri sozinha – e muito.

O amor que não era nada romântico - Parte III

Mas tudo bem, hoje ainda tem feira, talvez eu possa trocar o livro. O sorriso singelo e olhar misterioso de Drummond se transformaram em um sorriso safado e olhar malicioso.

Não trocamos livro aqui, você tem que ir à loja, fica lá em cima”, disse-me a vendedora. Tudo bem, peguei a escada rolante – ainda rindo de mim mesma – e fui até a Livraria Siciliano. Chegando lá eu disse que havia comprado o livro errado e queria trocar, a moça me pediu o cupom fiscal – não, eu não trouxe o cupom fiscal - respondi.

Aliás, quem é que guarda cupom fiscal? Eu não guardo, ainda mais de um livro de poesias – supostamente românticas – do Drummond. “A gerente não tá bem-humorada hoje, procura o cupom e volta aqui depois, mesmo não o encontrando, quem sabe a gente dá um jeito...”, consolou-me a jovem.

Então, no longo caminho de volta ao hotel, pensei comigo mesma: Mas que cupom fiscal? Eu não recebi nenhum cupom fiscal! Realmente, eu não tinha recebido, e eu sabia bem o porquê: Quando comprei o livro, era tarde e a feira estava fechando, o livro custava 26,90 reais, e por falta de troco, a vendedora fez de 20,00, pediu-me segredo e então fiquei sem cupom.

Mas tudo bem, da próxima vez que a carência de amor bater, pensarei duas vezes antes de deixar-me levar por qualquer rostinho bonito em capa de livro ou por qualquer desconto irrecusável. Aliás, dizem que a gente deve ler de tudo né? Ah, então tá!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

[diário] normalidade*

Sabe quando a gente acorda com vontade de ter um dia normal? Resguardado aos tratados exclusivamente internos?

É, José.

*das coisas que eu nem ouso explicar, é que avisar assusta.
*o mundo não me compreende!!! (daquelas crises existenciais da pré-adolescência).
*A trilha? Ah não! Confesso: precisa ser dance of days! (sim, emo, emo, emo, e daí?). Souassimesoufeliz.com 2 !
*Pólos opostos - redundância? Eu sei é que essa atração gera conflitos. Distância. Fundamental. Manter. De mim, para mim mesma. Eueumesmoeirene, sabe?
*"... antes do guarda-chuva vem a chuva, vem a chuva...”

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Noite de domingo - II*

Resolvi falar da noite de domingo - novamente. Pois notei que falar na noite de domingo deixa alguém bem. E se este certo alguém fica bem, significa que eu fico também. E este certo alguém - meu bem, é meu bem, então, sou eu também. Certas noites de domingo chove. Chove mais que chuva. Chove estrela e outras coisinhas mais. Em certas noites de domingo chove coisinhas simples. Um motivo, por exemplo. Quando a gente menos espera, a gente ganha, numa noite de domingo, um motivo a mais. Para viver e descrever infinitas noites de domingo. Daquelas noites – de domingo ou não – em que as nuvens passeiam no céu como se compreendessem, se divertissem e se deliciassem com as noites de domingo.

*Um paralelo ao post -
Noite de Domingo I

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Boto que é bom, nada!


Ceis acham mesmo que eu acredito nessa história de boto no Rio Acre é? Pois saibam: pra mim, isso continua a ser lenda. Nunca vi! E olha que sempre procuro quando passo. Vejo coisas como essas nas fotos aí*. Vi e bati foto! Mas, boto que é bom, nada!

tsc tsc tsc.

*das coisas curiosas que se pode ver no Rio Acre numa manhã de quarta-feira ao atravessar a passarela.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

moderna*

Sou do tipo que sente vontade, às vezes, de mandar alguém calar a boca e me enviar um e-mail. E quando alguém fala “hãm?”, eu mexo os dedos à procura do Ctrl+C / Ctrl+V. Existem aquelas ocasiões em que um Ctrl+Z cairia super bem – e como! Aliás, eu confesso: Já fechei os olhos com força e pensei - “puxa vida! Será que não tem mesmo como dá um Ctrl+Z???”

Geralmente, eu queria apenas clicar o “off-line” e ficar “away”, mas só externamente. E ficar só no reparo, sem precisar me manifestar em nada, totalmente incomunicável e invisível. Eu queria que tudo que sumisse (ou que eu perdesse), tivesse um número para qual eu ligasse e então ele tocaria onde estivesse e eu iria buscá-lo seguindo o seu toque. Que nem a gente faz com o celular. Eu só agradeço por não ter o Ctrl + Alt + Del. Se tivesse, acho que eu “jáuera"!

*cada um é do seu jeito.
*souassimesoufeliz.com
*e quem não é?
=]

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

[diário] aprendizado*

*dos assuntos que deixam os olhos molhadinhos

Com que idade a gente aprende a dialogar com nossos pais? Queria chegar logo lá, não vejo a hora.

É que eles são o motivo. Não o maior, nem o menor, muito menos o principal. Eles são simplesmente completamente o único motivo deu querer permanecer.

Eles não sabem. Sem hipocrisia, eles não sabem mesmo, de verdade, não têm a mínima noção. Nunca disse, nunca mostrei. É que eu só escondo, como quase tudo. Não é maldade. Acho que, puramente, falta de jeito.

Será que é coisa do signo? Distância demais entre os nossos pensamentos? Gostos, modos de ver a vida, sonhar e acreditar?

Enfim, será que existe algum exercício? Queria tentar. Preciso. Eu acredito que a minha vida vai mudar completamente quando eu aprender a fazer isso. Tenho essa noção.

Com que idade a gente perde aquela sensação de que eles não nos entendem e que vão sempre nos condenar?

Sim, querem o nosso bem - sem dúvida. Mas quando a gente realmente acredita e sente que eles podem nos ouvir, nos deixar falar tudo - sem interromper, sem pré-conceitos - e nos ajudar?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Pro céu que amanhece

*da modernidade

Oh, céus
Que poderia ser mesmo de mim?
Meus melhores amigos são todos loucos e bem anormais

E
Que seria mesmo de mim
Contentar-me com a falta de objetivos
E com a normalidade dos meus amigos normais

Céus,
Que escolha eu tenho a fazer?
Um dos mundos é transcendental
Noutro, regido por Leis que não entendo

E
Que seria das madrugadas em claro?
Sem o álcool da garrafa de gato
Sem o rio que corre prum rumo que não sei pronde vai
(Sem as águas que passam, e passam, e passam)

Ih,
O sol nasce mais uma vez
Tiro os sapatos pra entrar em casa
A cabeça pesada vai dormir
Como se estivesse acordando dum sonho

Oh, céus
E que sonho é esse?
Dos sinais vermelhos e do vento no rosto
Das mãos geladas e do cantar rouco
Do passado que some, do futuro que não preocupa mais

É quesse sonho é de presente - como o céu que amanhece
Colorido, nas ruas vazias que me permitem ver ...
[e entender]
O céu de agora.
[queu passo a querer toda a noite]

Oh céus,
Isso é fome de vícios
De risos e de riscos,
[e de querer estar mais próximo]
Dessas cores
e desse céu

(Preparando pra enviar pro forno, pra virar musicazinha da blush... portanto, vão logo decorando... hahaha)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

[diário] vida*

(...)

e decidi que não vou mais ficar me remoendo pelo passado, lembrando dos momentos ultra-mega-felizes que tive, mas que nunca voltarão, nem tentando entender porquês que nunca terão respostas.

Muito menos continuar deixando pra ser feliz no futuro, quando meus supostos planos estarão supostamente sendo realizados e eu estarei supostamente realizada e feliz.

Em alta velocidade. Passando pelos sinais vermelhos. Entrando na contra-mão. Ao lado da janela, sentindo o vento bater no rosto e o meu cabelo dançar e todo mundo cantando sem se preocupar com o tom.

A trilha é de rock nacional dos anos 80. Toca, justamente porque sabe-se que eu gosto do rock nacional dos anos 80. E olha que eu nem precisei pedir ou avisar.

A gente segue cantando Raul e Legião. Levantamos o braço e vibramos pelo momento, porque estamos exatamente felizes. E então, quando a música acaba, a gente aperta a mão um do outro e diz com a voz já rouca: “CARALHO! ESSA FOI FODA!!!”

Porque foi mesmo, porque é desse tipo de coisa que eu não quero esquecer: do vento batendo no meu rosto; as ruas, casas e calçadas passando – como tudo passa:

numa velocidade que eu não me permite definir suas cores e contrastes; e eu cantando, e meu canto sendo acompanhado por outros que estão ali curtindo de verdade, sem medo de desafinar.

E eu senti como se estivesse voltando atrás, recuperando o que não vivi. Como se eu pudesse me desligar das minhas preocupações para o futuro, e então viver completamente o presente...

sem preocupar com os horários, com as palavras (ou com a ausência delas), com o meu jeito, com as minhas grosserias, dúvidas, suspeitas, e outras ocasiões...

É como se o que eu havia aprendido sobre a vida estivesse acabando de começar. Mesmo assim, não me sinto chegando atrasada à festa, porque é como se eu também fosse atração...

E eu não quero saber de quem já está indo, quero mesmo é ficar com quem está chegando comigo ou que ficou à minha espera e sorriu com a minha chegada.

*das coisas que precisam ficar registradas não só na minha memória (que é humanamente cruel).

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

nem sei

Não sou de poesia.
Nem de raios e trovões.
Sou de avesso. De uma metade inteira.
Dum nome fácil de soletrar, dum caminho que segue rumo – não ao certo até onde.
Não sou de temores.
Nem de canções de samba ou bossa nova.
Sou também de um cantar discreto,
Dum canto que dá apego e vontade de ensinar
Também de sorrisos-amarelos, de músicas de agradecimentos, de letras que falam de amor e amizade.
Sou da mania
Do vício
Não sou da determinação
Do destino traçado
Ou do amor à solidão
Sou da aventura
Do atrevimento
Da coragem cuidadosa
Da experimentação
Não sou do calor
Nem do frio
Sou da curiosidade
E da desconfiança também
Da segurança pouca
E de uma voz que nem é rouca
Me meto a ser dos problemas da idade,
É que sou da distância e da saudade
Sou dos sorvetes ao entardecer, do sono às nove da noite, e do dia que amanhece cedo
Não sou da paciência
Tento ser do controle
Não sou da esposa
Do marido
Muito menos da amiga
Sou apenas de mim
Dum egoísmo calculado
Da mentira que não é inverdade
Da auto-censura
Para mim
De quem finjo
De quem minto
De quem fujo também.

domingo, 18 de novembro de 2007

2008!

Porque depois dessa última semana, 2007 pode acabar já. Pode mesmo. Pode, pode. Pode muito! Acho que já tô pronta pra iniciar 2008. Tô mesmo. O que mais me resta a fazer? No que mais devo acreditar? O que mais pode me deixar extremamente bobamente feliz e/ou ignorantemente triste? O que mais pode me surpreender ou decepcionar? O que mais eu tenho pra aprender ou desaprender? Que outra decisão eu terei que tomar? E ainda existe alguma coisa que eu 'preciso ficar sabendo'? Meu deus do céu, dá até medo quando eu penso: "o que mais pode acontecer nesse ano?!". Ô, 2007, acaba logo, vai! Sei que posso tá exagerando, afinal, ainda faltam um mês e meio... Mas quem sou eu pra falar de exagero diante do exagero de coisas infinitamente 'intensas' que já aconteceram nesse ano? Caraca, o pior é que eu sei... quer dizer, sei não, sei lá... seja lá o que eu achei desse ano, me parece que 2008 eu vou achar tudo isso e muito mais!!! E peraí, eu ainda tenho uns objetivos pra este ano! HÁ, tenho sim! Mas, a última semana fechou o ano! Querido 2007, você foi demais, em todos os aspectos, jeitos, sentidos, números, gêneros e estilos! Falando isso, eu sinto vibrando vitória antes do fim do jogo. Massss... fazer o quê, se eu já me sinto 'energizada' pra dá início a um novo tudo? Tô com vontade de vibrar mesmo, e não vou deixar isso pra amanhã de jeito nenhum! Um abraço forte e um bjo na testa! E vamos lá!

*A foto é da Nattércia, a Deda

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

variação

Muda - as canções de todos os dias.
Muda - as ilusões.
Muda - o café da manhã.
Muda - a vontade de não ter e nem ser.
Muda - a vontade de mudar.
Muda - a vontade de continuar.
Muda - a vontade de acreditar.

Permanece e começa a ter voz - a vontade de se mudar daqui [imediata-mente].

domingo, 11 de novembro de 2007

"[sinto]nia"

Quando ‘amizade’ era uma palavra completamente decifrável e eu sabia exatamente quem eu era.

Numa noite dessas eu sonhei com você. Eu te encontrava na saída de uma festa, a gente se abraçava e começávamos a rodar e eu chorava, chorava, chorava tanto! E então, depois de me confortar e de trazer a sensação de que você estava de volta, você desaparecia. E só.

Como pode alguém ir embora e mesmo depois de tanto tempo continuar fazendo tanta falta e ainda estar presente nos meus sonhos?

Além disso, até nos meus sonhos, você sabe muito bem a hora de aparecer.

A saudade mata sim. Mata devagar.

E os 'vinte-setes de maio' nunca mais foram os mesmos...

-x-

Escrevi o post mês passado, e o salvei como rascunho, pra postar depois. E então, dias depois recebo uma mensagem dessa mocinha, dizendo que vai aparecer por aqui neste mês.

Minha amiguinha, não faltam mais provas pra eu acreditar que vc é uma anjinha que foi enviada a esta terra - alguns momentos antes de mim - pra me fornecer mais luz.

Estou no seu aguardo.

Porque sintonia é uma coisa que não se acha em qualquer esquina. Muito menos, algo que se acabe com qualquer mudança - ou distância.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A mulher de branco, o copo trincado e alguns segredos

Houve um tempo em que a mulher de branco me fazia medo. Hoje, ela é transparente aos meus olhos. Não me importam os seus afazeres após os horários comerciais. Horários nobres, meu bem, são pra quem sabe ter.

Se a minha cabeça não para de doer, eu sei bem o motivo. É também pelo qual eu me escondo atrás duma máscara azul-cobre. Não me recordo de quem me ajudou a montar nesse cavalo. Avistei-o de longe pelo seu brilho, ofuscado pelo sol que me trás novidades eternas.

Ah não, a história de todos os dias é a mesma história de todos os dias. Não são os dias que são das mesmas histórias.

Água fervente trinca copos de plásticos. Eu sei por experiência própria. Mas não sei o que tem debaixo da mesa. Água sanitária desbota roupa de cor. Mas eu vi, na rua, a menina desfilando com uma blusa colada e com saia estampada. E ela rebolava um sorriso que eu não consigo nem se fizer teatro.

E cada frase é um pouco dos segredos que eu não queria guardar. E vou tentando revelar aos poucos. Na tentativa de fazer dispersa essa dor de cá. Encolhida, como uma menina que segura os joelhos no canto do quarto, agarrada a um urso de pelúcia, com medo do escuro e a espera dos pais que vão chegar, acender a luz, e acabar com a graça da existência de um bicho papão horrendo.

Daqui uns anos, os fatos virarão contos de antigamente. Nem sei se ainda vou querer contar a verdade. Talvez inventar um enredo novo seja até mais interessante e divertido também. E toda vez que eu parar para recontar, vai ter uma capítulo inédito, que só eu saberei descrever.

A minha história, afinal, é só minha.

Acreditar na intuição é fácil. Admitir os erros, perceber a cara de um não... não.

E revelar o incomum trai.



Ainda tinha a chapeuzinho vermelho da escada da frente. Ela pedia que contássemos uma história. E, ao longo do conto, ela se desfazia num líquido cor de vinho.

Tinha também, as pegadas no tapete deixadas pelas estátuas da Capela, e pra chegar até lá, era preciso passar por um longo corredor de portas laterais e janela no fundo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

glup glup


É que na próxima vida, eu pretendo ser um peixe.

*Se houver próxima vida;
*Se eu puder escolher.