domingo, 24 de outubro de 2010

silencio


... um estrangeiro passageiro de algum trem.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ficção

Agora eu escrevo realidades: AQUI.
Amigos, seguidores, leitores, anônimos, inominados, nomeados e nominados do meu coração. Venho por meio deste, avisar que a vida tem acontecido com maior vigor aqui: Confraria dos Últimos Românticos. Lá, estou tentando alguma intensidade fictícia mais real, recheada de algumas desvirtualidades de outrora, sobre aquilo que nos move e nos remove de si e de qualquer outro universo: o amor. Histórias, contos, causos, descasos e outras decepções alheias e esperançosas.

Quanto a este blog de cá, dói-me vê-lo se amontoar pelos entulhos de lixo eletrônico perdido por esse mundão de meu Deus. Ah, que vontade de ficar aqui por mais um instante! Até que tenho planos, minha gente! Será que é suficiente me justificar por conta do tempo? É que mudei de vida, de casa, de trabalho, e me perdi um pouco de mim. Ou tenho me achado um pouco mais (o que me torna ainda mais perdida).

Quero novas cores, tons e versos. Novos enredos e personagens. (E, quem sabe, até outro instrumento pra tocar). O momento me exige um novo nome, slogan e design. A busca é aquela mesma busca interminável de sempre: a busca por alguma coisa para buscar, a fim de acalmar o espírito, o coração, a mente e sei lá o quê.

E vamos cantar que a vida é bela!

Ah, há também alguns devaneios desconexos aqui: @gisellexl, via twitter.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

teatro dos perdões

O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance

Enquanto houver amor, amor, haverá vida. E eu estarei a te esperar. Há dias que eu coloco o som alto para não ouvir meus pensamentos. Meus auto-insultos e auto-reprovações. Porque, você sabe, eu me odeio. Vejo todo um mosaico de pequenas mentirinhas. Mas quando há você, há algo de verdade, algo de sonho que é realidade. Algo que motiva e impulsiona. Quero o Benjamin, o Bento e o Dante. O João, quem sabe. A Naima não me cativou. Mas por você, amor, tudo é cativo. Tudo é ordem e motivo. Mudou minhas leis, os giros do meu mundo (que estava quase parando, como num Eclipse). Me ouviu. Me olha com amor. Eu acredito e sempre acreditarei. Não há nada e nem ninguém de amor tão singelo, tanto, que deixa escolher e ser um ser assim tão... (de textos incompletos e meio alheios ao que é ou não de interior)


Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...


E eu escolho ser uma mulher do meu tempo. Uma mulher que tem a idade que tem. De uns vinte e poucos anos. De umas infantilidades sem nome exato. Umas incertezas incertas. E uns sonhos abstratos. Às vezes, desejo que maturidade viesse numa embalagem plástica, que a gente comprasse na farmácia da esquina, como compra Neosaldina (minha grande companheira de guerra). E tomaria, sim, doses extras para entender que maturidade é, apenas, ver que as coisas não precisam ser tão perfeitas. Elas são o que são. E é só isso o que precisam ser. “O mundo é feito para os que não pensam. Os inteligentes só se ferram”.

Não sou perfeito...
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber

Mas eu serei uma mulher do meu tempo. Da idade que tem. Nem madura, nem infantil. Nem démodé, contemporânea ou pós-moderna. Apenas uma mulher que acredita na certeza do amor eterno. E assume riscos. Eu assumo os riscos. E sou uma mulher realizada: fui à África, não fiz um passeio de balão, não nadei por entre tubarões brancos nem vi manada de elefantes bebendo água. Mas sou uma mulher realizada. E isso se deve às minhas crenças. Às chances acumuladas que me dou para (não) errar. Amo porque posso e sou capaz. O alvo e a artilharia já estão entregues. Mas, nin-guém-con-se-gue-per-ce-ber...

E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir...

*Em destaque trechos de Teatro dos Vampiros - Renato Russo

terça-feira, 1 de junho de 2010

Havia você e o rio

Querem saber / Como é estar aqui / Lembrar e esquecer / Como sobrevivi
Querem saber Se já me sinto bem / Eu digo: melhor...
(Me explica)


Fale-me de Sabino e Pessoa, enquanto me embriago de saudade. “Amava os circos, os palhaços e as prostitutas, os bêbados, os mendigos e os poetas”. Eu também os amo. Todos. E preciso, a cada dia, de uma dose de arte da rua. Daquela que se vende em cada esquina e própria para o consumo imediato. Fale-me de Sabino e Pessoa, enquanto eu construo casos e descasos e projeto outros contos (de bruxas e fadas). E tudo entra num ritmo singelo de viver. Vou num leilão, ainda não na missa. O pedido ainda não foi atendido. A promessa fica pra depois. Eu me embriago de falta de espaço, do show que esgota o ingresso, do filme que já saiu de cartaz. Corre. Anda. Pensa menos. (Descubro outros prazeres de quando a mente fica em silêncio). Fale-me de Sabino e Pessoa. Drummond, às vezes, pode ser. Lispector está um tanto distante (ainda bem), Veríssimo, nunca mais. As mandalas passeiam por entre outras mãos, e por outros dedos, ganham outros tons (e ritmos). Nunca mais aquele quadro em branco. (Não tenho lápis de cor). Fale-me de Sabino e Pessoa. Daquele que nasceu homem e morreu menino. Daquele anônimo dos heterônimos. Me embriago de paciência. Ubuntu, Windows, das coisas que destoam. Neruda existe. Mas ainda não aqui. Werneck publicou a coletânea de crônicas que se tornaram as minhas preferidas (me mostrou um mundo possível). Ele esteve aqui, dia desses. Não o vi. Devia ao menos agradecer. Devia também, dizer a Galdino, um obrigado por aquela música que povoou alguma ausência. Eu também diria isso a Alanis. (Minha professorinha de inglês). Desculpa, mas às vezes, eu literalmente transbordo nas conversas. Eu olho, mas não escuto. Portanto, fale-me de Sabino e Pessoa (vêm, em anexo, porções de alegrias disfarçadas de doce de leite e algodão). Falando nisso, preciso de mais alface, yoga e ameixas.

na verdade continuo sob a mesma condição / distraindo a verdade, enganando o coração (Antes que seja tarde).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

reflexos, impressões e outros 'enganos'


Os dias passam rápidos. Mas passam mais rápidos ainda para os que correm. Há árvores de todas as cores nas ruas de Belo Horizonte. Dias e noites são extremamente barulhentos. E nós também somos feitos de silêncios; de preto no branco. Novamente, suspeito que esteja fazendo o caminho inverso. Mas dessa vez, não terei pressa pra ter certeza. Afinal, as certezas também mudam com o tempo, assim como o certo, que também é extremamente perecível. E eu sou a favor das impressões, dos reflexos e outros enganos. Não ouso arriscar o meu prazo de partida. Se viver é que não é preciso, talvez eu nem tenha navegado ou voado tanto, mas sinto, apenas, minhas satisfações cada vez mais inocentes, afinal, eu não prezo mais pela auto-suficiência ou por honrar histórias do quadrinho anterior. Escolho o jogo cuja regra é deixar a vida afetar por não haver outra opção além do permitir. É fácil viver momentos inesquecíveis e esquecê-los. Há algo em mim mais forte que sentimento, que transforma saudade em derivado do verbo pensar. Se uma pergunta é que responde a outra, apenas longe delas é que entendo as magias amazônicas, as manias de sinceridade com si próprio. As pessoas se benzem frente às igrejas – e até aos santos desconhecidos – como num coral regido pela fé. Em Belzonte, pensamentos caminham n’outro tempo. No tempo em que se torna coletivo o que era de um sujeito só. Mas tudo é óbvio, mesmo que surpreendente. (Neste caso, a recíproca é verdadeira). A lei de agora é morrer de rir. E, se for pra chorar, que seja junto, quando meu apelo se recobre pelo “Nada além do que satisfaz”... Enquanto isso, acordes Chicopopianos voltam a soar.

“Ah, como ela sabe quanta tristeza cabe numa solidão...”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um novo tempo


Um novo lar

É preciso ter espaço para O sentir, sem julgar, sem condenar. O sentir que não se explica, que não se compreende, que é irracional e burro. Peço desculpas, sim, e me volto a um mundinho de máscaras e fantasias. Desapego e desprendimento: essas seriam as palavras, as senhas de entrada.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

conclusão

eu sou mesmo uma insuportável. se todas as atitudes se estampam na cara ao longo do tempo, devo ter meio-mundo de lágrimas covardes fazendo piadas sem-graça; uma constelação de palavras que jogam cartas trocando piscadelas falsas e algumas infinitas cenas em câmera lenta com o botão do replay travado: eu as revejo, dia e noite. Ah, se eu soubesse simplesmente como deixar ser... Ah, se o choro não fosse simplesmente engolido como um paracetamol que me dá alergia. Se eu soubesse o segredo de deixar o abraço se abrir. E que inveja eu tenho dos que simplesmente falam; dos que traduzem o que se passa por dentro, dominando frases, situações, organizando pensamentos. E por favor, não me diga que tenho sorte, que sou bonita, talentosa ou coisas do tipo. Seria conveniente apenas às prostitutas (o que somos, uma vez na vida, somos, e com prazer). Além disso, meu amigo, são fatores que se perdem com o tempo. E ajudam na conquista somente do inútil, do que pouco me importa, então, só me vem a atrapalhar. Eu vejo aí uma velhice turbulenta. Ou a maturidade só piora tudo ou estou fazendo o caminho inverso. A cada dia tudo fica mais difícil, complicado e sem graça. As relações, as comunicações. E me vejo me perdendo, perdendo o que tanto tento cativar... Já não faço questão de orgulhar a ninguém (porque um dia eu fiz, e consegui, e hoje não faz a menor diferença). Dessas virtudes que atraem mau-gosto, eu tenho coleções. Os interesses, as conveniências, deixam tudo superficial, que é temporário, não-verdadeiro, falso, mentiroso... Que é traidor e rasteiro. Se eu demoro para perceber, ou se simplesmente não percebo. É porque eu acredito, ou acreditei, ou acreditava.


"Ela é quase tudo o que sonhei
E eu sou quase aquilo que sempre evitei
E falhei, sim, falhei"
(Quase, Pato Fu)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vida daninha


Mofou. Perdi uma caixa inteira de colares, porque simplesmente mofou. Foi tudo direto pro lixo. E, amigos (em especial as amigas) concordem comigo: não é fácil jogar uma caixinha inteirinha de colares no lixo. Foi-se. Peças de sementes (as jóias da Amazônia) têm essa desvantagem.


E aí eu percebi que tudo, até o meu blog, já estava sendo afetado por (minha) vida daninha: espontânea, caracterizada por uma inconveniência às vezes necessária; com grande poder de (rápida) adaptação e estruturas para dispersão. Fui à África, voltei, o ano se passou, e nada de post novo. Minha gente, a vida agora é outra.

Meu intercâmbio foi como o previsto: surpreendente! Foram as quatro semanas mais parecidas com quatro dias que alguém poderia viver. E eu nem deveria ousar descrevê-lo, unicamente pelo clichê de não ter palavras.


Tenho medo porque sei que, de qualquer forma, eu vou reduzir, diminuir, simplificar uma das maiores aventuras e emoções que já vivi: as diferenças, as semelhanças, as novidades, os mistérios, e eu acompanhada apenas da minha ansiedade e fé. Uma língua nova, um país novo. Um outro continente, uma outra cultura, uma outra casa, uma outra família (de amigos, de companheiros, de tudo).

Não fiz todos os passeios que desejei (safáris, mergulhos, vôos...), afinal, o turismo ficou mesmo em segundo plano. O intercâmbio foi pra estudar inglês e, diga-se de passagem, viajar, mudar, sair, literalmente. Não apenas encontrei ou conheci novas pessoas, mas convivi com gente de vários lugares do mundo: Rússia, Alemanha, Arábia Saudita, Japão, Coréia do Sul, Turquia, França, Itália, Peru, Colômbia, Angola, Zimbábue... E, claro, muitos brasileiros!

Pessoas diferentes, com outros estilos de vida, outros costumes e noções de mundo, todas em situação semelhante (na mesma cidade, na mesma escola) e com o mesmo objetivo: aprender inglês e ter outras experiências de vida; crescer; aumentar o leque de possibilidades; se conhecer; renovar o acervo de perguntas e encontrar respostas mais claras: “é possível” – foi a que eu encontrei.
A África do Sul, Cape Town, certamente foi uma ótima escolha, rápida e sem muita reflexão. Eu a escolheria novamente.

A pessoa é mesmo coisa fascinante. Dentro de todas as suas diferenças, crenças, contradições e defeitos. A pessoa é mesmo coisa fascinante. O que destrói é mesmo a falta de verbo, de comunicar. E conhecer – renovar – e tentar entender tem sido meu esporte favorito.



Fotos: Todas elas de lá!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dia-a-dia

Justiça

Me falaram para procurar a justiça, como se ela fosse uma pessoa. Logo, eu faria uma ligação e pronto: teria encontrado a justiça. Decidi deixar pra lá, mesmo não tendo tanta certeza de pra onde as coisas vão quando a gente resolve deixar pra lá. Não que eu aceite ou desista fácil, não, nada disso. É que eu faço um exercício diário para não me aborrecer com pouca coisa.

Para isso, uma das lições é compreender que nada nasce com valor próprio. As coisas – tudo na vida – têm o valor que cada um de nós – seres nada confiáveis – dá a elas. E a gente exagera justamente naquilo que não deveria ter valor nenhum, justamente naquilo que o alheio já dá valor demais. E gente se influencia e vai junto. E aí, aquelas coisas completamente banais nos atingem de forma constrangedora, nos estressa, tira o sono. Não que eu seja adepta ao “foda-se e seja feliz”. Na verdade, eu nem gosto muito desse negócio de mandar qualquer coisa se f.... É o tipo de “palavrão” ou “expressão de raiva” mais besta e inútil que existe. Aliás, eu acho que não existem muitos palavrões inteligentes e úteis por aí.

O engraçado é que eu decidi não me importar – e deixar pra lá, e nem procurar a justiça – depois de ter ouvido pela segunda vez exatamente a mesma coisa, só que, dessa vez, com um nível de gentileza um pouco mais raro. Quando será que o mundo vai entender que a melhor forma de influenciar, fazer mudar de ideia, convencer alguém é sendo gentil?!

Eu entendi a situação – um tanto quanto injusta, é verdade – me convenci, deixei pra lá e ainda voltei pra casa feliz, afinal, fui tratada de forma exemplar numa instituição pública (na Ufac, veja só!).

Afinal, que importância tem um Certificado de Conclusão de um Curso de Ensino Superior?! Que importância tem um registro de jornalista no Ministério do Trabalho que vai permitir, por exemplo, que eu me sindicalize?! O que custa esperar pela prova do Enade e fazê-la? Pra quem não sabe, o Enade é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Eu fiz a prova no início do curso e agora, farei novamente. A moral é saber se aprendemos alguma coisa na faculdade, dependendo disso, o Curso ganha uma nota e ficamos sabendo se ele presta ou não. A prova é incluída na grade do curso, portanto, não posso colar grau sem antes fazê-la.

E se eu cursei o ensino superior, faço questão de ter o registro de jornalista diplomada, mesmo podendo ter do outro tipo. Não vou entrar na discussão da obrigatoriedade ou não do diploma, tenho uma opinião bem particular em relação a isso, e o meu blog não é pra discutir idéias, argumentos, política, seja o que for... Meu blog é apenas um espaço para sentimentos, impressões e outras coisas inúteis assim. E realmente, tenho coisas melhores para me preocupar neste fim de ano. E a previsão do tempo é: muito frio na barriga.

Catando coquinho


Eu tava lá, vendo a meninada toda se lambuzando de tanto comer coquinho, e como não sou nenhum pouco invejosa, quis comer coquinho também. Ah, quis sim! Mas como eu quero ser "A" independente, fui lá no pé buscar o meu próprio coquinho. Foi então que eu compreendi perfeitamente a moral da expressão “vá catar coquinho!”. Maninho, nunca imaginei que catar coquinho fosse algo tão chato e difícil. Os coquinhos ficam camuflados na grama, e a gente tem que ficar passando a mão na terra, porque entre as dezenas de coquinhos podres pode ter um que preste, e não dá pra ver, procurar com o olho, tem que ficar passando a mão! Aff! Nesse dia, eu tive que ficar só olhando mesmo...

Curso Abril, Maio, Junho...

A Editora Abril divulgou o número de candidatos inscritos no Curso Abril de Jornalismo. São 3272 candidatos espalhados por todo o Brasil, com exceção do estado do Amapá. Do Acre, veja só, existem DOIS concorrentes. Bem, eu sei que um sou eu, na categoria texto, que é a mais disputada, com 2144 inscritos. Além desta, existem as categorias Mídias Digitais, Vídeo, Fotografia e Design. O fato é que estou “super-hiper-mega-curiosíssima” pra saber quem é o “2”. É que essa pessoa deve ser, no mínimo, alguém que, assim como eu, quer qualificar o seu trabalho e se informa e busca alternativas para isso. Enfim, boa sorte pra gente! Seja lá o que aconteça, eu acho que nem poderei participar das próximas seleções... E isso nem me aflige, de verdade. Vou me preparar mesmo é para enfrentar o frio na barriga, já previsto e confirmado.

Eu sei que...

Se chatear duas vezes pela mesma coisa é o mesmo que errar duas vezes. E, como vocês sabem, errar é humano, mas, errar duas vezes... ;)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O mundo tem mais cor

Ou: uma lente muda tudo!


- E ai Giselle, me conta, o que você tá sentindo? O que você tá achando?
- O mundo tem mais cor.

Foi o que eu respondi ao doutor depois que ele colocou uma lente de 6 graus para miopia no meu olho esquerdo. É verdade que eu ficava imaginando como seria ter os dois olhos funcionando, mas não que a diferença seria realmente assim tão grande. O fato é que eu tenho um caso meio esquisito. Meu olho direito é literalmente direito e funciona incrivelmente bem, a ponto de um médico até me parabenizar por isso. Mas meu olho esquerdo é totalmente desregulado e me proporciona apenas a visão de vultos, luzes e cores embaçadas.

Uso óculos desde criança, mas logo “dei fim” neles porque comecei a usar aparelho nos dentes. Meu círculo de convivência não permitia que uma criança que usasse óculos e aparelho nos dentes fosse feliz, livre de alugações e piadinhas sem graça. Coisas de criança, sabe? Na época, os óculos nem fizeram falta. Um tempo depois de tirar o aparelho, voltei a usar óculos. E aí, a coisa estranha foi detectada. Me consultei com dois médicos e cada um sugeriu algo diferente:

Opção 1, médico X: Usar uma lente de contato, apenas no olho esquerdo, para corrigir a miopia e o astigmatismo.

Opção 2, médico Y: Usar um óculos. No olho esquerdo (o olho que não presta), sem grau nenhum, plano. E no olho direito (o olho bom), um grau de 0,5, já que é o olho que, de fato, uso, portanto, ele acaba ficando sobrecarregado e daí a dor de cabeça.

Fiz o mamãe-mandou e optei pela opção 2. O médico Y argumentou que seria muito difícil eu me acostumar com a lente, pois pro meu caso ela não seria gelatinosa, seria dura, menor que o olho, desconfortável. Eu precisaria de um esforço talvez não muito necessário, já que enxergo muito bem com o olho direito. Até fiz um teste para usar a lente de contato, mas não foi uma experiência muito feliz. Meus olhos despejaram mais lágrimas do que quando eu tive a minha primeira crise-existencial-amorosa e em menos de dois minutos a lente simplesmente se jogou para fora do meu corpo.

Passei dois anos usando óculos. Depois, numa consulta de rotina, para revisão, o grau do olho bom aumentou para 0,75 e o olho ruim continuava ruim. Diz o médico Y que é normal que o grau do olho inicialmente bom aumente com o tempo e coisa e tal... E eu fiquei com a preocupação: o olho bom vai um dia chegar a ser tão ruim quanto o olho ruim?!

Algum tempo se passou e uma dor de cabeça voltou a reinar nos meus dias. Decidi me consultar com um terceiro oftalmologista. Dessa vez, um japinha engraçadinho, novo na cidade. Expliquei o meu caso. Ele me examinou e confirmou o que eu disse:

- É, você tem uma grande diferença de grau entre olho e outro.
- Pois é...

Então, iniciamos uma série de exames. Máquina aqui, máquina acolá, colírio aqui, colírio acolá. O japa examinava, cruzava os braços, colocava a mão no queixo, olhava pra cima e ficava pensativo. E eu continuava com aquele ar de “pois é”.

Andou pra lá, andou pra cá. Até que o japa decidiu! Disse que deveríamos fazer um teste. Abriu uma gaveta, puxou um pacotinho, tirou uma lente e colocou no meu olho. Pisquei, pisquei, pisquei... De repente, o mundo ganhou mais cor, mais luz, contraste! Ele me deu a lente de presente e disse pra usá-la durante três dias e, se a minha vida melhorar, que eu volte lá e encomende uma com grau mais específico. Neste caso, a lente não é tão desconfortável porque corrige apenas parte do problema. Mas muda tudo!

Voltei para casa rindo à toa. Fiquei deslumbrada e até emocionada com tamanha mudança. Quanta coisa eu estava perdendo! Mas, como alegria de pobre dura pouco, estava eu vendo Tv, deitada na cama, tão tranqüila, feliz e confortável que até esqueci que usava uma lente. Cocei o olho e, imediatamente, o mundo perdeu o brilho. A lente tinha escapulido, catei, caiu, catei novamente, caiu, embolou na cama, catei, mas dessa vez, ela me voltou toda dobrada, embuluada, miúda. Molhei, tentei consertar, colocar de volta, mas nem...

Diz a minha mãe que pareço ter ficado com o olho maior que o outro. Mas esse seria o menor dos problemas. Aliás, eu disse a ela, eu sempre achei mesmo que tinha um olho maior que o outro, sempre me achei meio vesga, sei lá, mas é o tipo da coisa que eu sei que ninguém nunca vai me confirmar. Mas pelo menos agora eu sei que o mundo tem mais cor do que eu imaginava. E isso é uma coisa que só eu pra concluir comigo mesma, afinal, ninguém nunca iria me dizer isso também.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Melhor que chocolate

Uma delícia o gosto desse sorriso que se abre, miúdo e discreto e talvez até meio perdido, quando estamos sozinhos navegando pelas páginas cotidianas da vida virtual em busca sabe-se lá do quê...
Aliás, em busca exatamente disso, de algo que nos faça sorrir de surpresa e com vontade de verdade.

Delícia de abraço, delícia de carinho, delícia de poesia que vem lá de longe, sem a gente esperar, e se faz presente bem mais que muito presente...

eu aproveito para me lambuzar toda.

coisas de ipê amarelo (que antes de ter trilhado as linhas de um poema, eu nunca tinha parado pra observar); coisas que aprendi com uma moça que tem um caso poético, e que na verdade, só tendo um caso como esse pra entender e explicar.

Wal, querida, que sorte a minha ter uma amiga-poeta-que-cinema como você!

é que eu arrisco um verso no meio da tarde e, à noitinha, ganho de volta um poema inteirinho.

sábado, 15 de agosto de 2009

Odeio

Amor... Você já amou? Horrível, não? Você fica tão vulnerável. O peito se abre e o coração também. Desse jeito qualquer um pode entrar e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, pra que nada possa te causar mal. Aí, uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outra, entra em sua vida idiota. Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa idiota como beijar você ou sorrir e, de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e te deixa chorando no escuro. Por isso, uma simples frase como "talvez a gente devesse ser apenas amigos" ou "muito perspicaz" vira estilhaços de vidro rasgando seu coração. Dói. Não só na imaginação ou na mente. É uma dor na alma, no corpo, uma verdadeira dor que entra-em-você-e-destroça-por-dentro. Nada devia ser assim. Principalmente amor. Odeio amor.

Neil Gaiman

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais uma canção



Quando a gente descobre a música ...
...
..
.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Let it be

Vai ser sempre uma trilha sonora das cenas para recordar. Seja de uma tarde vazia, um domingo na praça ou das risadas por causa do barulho de água na barriga. Das cenas que congelam e acontecem em câmera lenta e ao mesmo tempo naquele ritmo que só nos deixa gravar uma mistura de cores, traços e texturas. O que é mais fácil, provável, próximo, certo vira o que a gente quer. E eu cato o que deve haver de tão errado numa vida pacata, de alguns poucos amigos, mas de minha gente, dinheiro pra pagar o chop na beira do rio e de poesia que a gente mesmo inventa e destrói também. Eu tenho medo do medo, do coração acelerado, da perna bamba. Sonhei que estava numa roda-gigante, com uma amiga e mais uma porção de desconhecidos. Minha amiga gritava de emoção e eu, de olhos fechados e em silêncio, podia jurar que estava tendo a melhor sensação que todos eles, de olhos bem abertos e aos prantos, podiam ter. É sempre assim, uma espécie de vencedora que tem a vida a perder. Vou jogar a moedinha, deu certo uma vez. Eu até que ando dormindo meio sem pensar em nada e acordando meio sem por quê. Mesmo assim, queria pensar um pouco menos. Esqueço de ligar o som, de fazer a listinha de afazeres e de comer uma barrinha de cereais entre cada refeição. Agora, Let It Be tem sido um som distante, curto, baixinho. Mas eu me lembro que vou presentear minha afilhada, no seu primeiro aninho, com o seu bolinho de aniversário. Vou encher balões, colocar um chapeuzinho e brincar no chão. Quando paro pra lembrar e falar das imagens que tenho, não consigo saber se eram realmente fotos alheias que bisbilhotei, momentos que vivi ou filmes que assisti. Não me diga que é um caso perdido, alegria que não tem onde encostar, interpretação semiótica inútil. O meu pedido é um silêncio, embalado pra viagem.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Enfim, o fim!

Ou: existe vida inteligente pós-monografia?

Eu diria que sinto uma ressaca. Mas a vontade de passar o dia inteiro largada na cama já me acompanha bem antes disso. O 10 na monografia foi com muito louvor e emoção! Com direito à lágrimas nos olhos e tudo mais. Todo final, por mais feliz, tem um lado obscuro. E essa é uma das características que nós, pobres mortais, carregamos: nunca encontramos a felicidade plena nessa dimensão carnívora (seja lá o que isso signifique). E esse assunto não é nenhuma novidade pelas linhas de cá, aliás, isso sempre acontece: deja vu de texto, já disse, não disse? Me sinto mesmo um tanto monótona...

sorriso besta =)

Terminar a monografia foi algo feliz – apesar dos apesares (eu sinceramente acredito que não transcrevi o Chico Pop que conheci). Mas acordar e não ter mais encontro marcado n’A Cidade Se Diverte nem é tão divertido. E nada foi realmente difícil (ahh, falar isso depois do trabalho pronto é tão fácil!). Eu devo ter passado coisa de dez meses nessa imersão Chicopopiana (lendo livros, ouvindo músicas e assistindo a filmes do gosto dele), mas ainda tive tempo de ir no Arara’s (também sou uma pesquisadora social), inventar discórdia com meu namorado (também sou geminiana), ver novela (também gosto de futilidades), ler horóscopo ou livros de assunto alheio... (ah, interesse por assuntos diversos, ok?).

O fato é que eu não vou falar do provável: o alívio, o que eu aprendi ou desaprendi, os conflitos éticos e pessoais, a vontade de dominar e mudar o mundo por meio do jornalismo cultural, os planos para o futuro... Não, sobre essas coisas a gente conversa por aí, e se eu engordei ou emagreci, o importante é que emoções eu vivi (não me restavam forças para preparar uma janta saudável, caminhar no parque ou fazer yôga, mas o brigadeiro de panela era obrigatório!).

Aqui, prefiro assumir um lado meio-sem-noção-que-me-dá-liberdade-para-mudar-de-assunto-a-hora-que-eu-quiser. Agora eu tenho o programa que baixa vídeos do Youtube. Numa semana, baixei mais de 140 clipes e isso é muito legal. Não sei até quando o meu computador vai agüentar, ou se eu tenho cometido algum crime, mas tem sido divertido. Me rendi à comida japonesa (com algumas restrições, por enquanto) e ainda me falta um siso pra arrancar (ô saga!). Além disso, Intercom vem vindo aí numa das cidades mais frias do país (com direito à gripe suína). Muita empolgação e medo! Medo não da gripe, mas do frio! Portanto, quem tiver um casaquinho dando sopa por aí, lembre-se de mim, sim?!