terça-feira, 18 de março de 2008

Caras e Caretas. Máscaras e Caricaturas




“e o caos segue em frente, com toda a calma do mundo” (R.R)






O coração dispara meio arrependido. Os cabelos deveriam sair da nuca mais facilmente. Queria sentir a lisura. Reluzente. Como um raio de sol forte, daqueles que colorem o fim de tarde. Ah, essas cores... Azuis e desbotadas. A lua que me aparece nem de porcelana é. Um plástico barato, de uns poucos centavos. Minha luz se apaga e ela brilha. Não é de São Jorge nem de qualquer outro santo. Eu não entendo nada de santos, mas já carreguei no pulso correntinha da Nossa Senhora Desatadora de Nós. Os altares não cabem na minha janela, nem olho mais. Medo de me afogar. Não quero mais falar de decisões. Bianca vem aí para ser a terceira pessoa, quase gêmea da primeira, assim, como o signo de gêmeos que é quase dois ou quatro opostos. São caras e caretas, máscaras e caricaturas.


“... tudo o que não me interessa agora eu jogo fora, e se vai, como o Sol, que se esconde ou se espalha, que aquece ou atrapalha, que derrete ou agasalha...” (L.P)


A luz é escorregadia e pisca de forma assistemática. Não é questão de falta de coragem. É outra, são outras personalidades. Uma pesa pouco mais de 10 quilos. Outra, beira os 70. No travesseiro, formigas fazem festa. É real e normal. Será que eu posso ouvir? Alguém chama pelo meu nome, mas estou vazia e com corpo frio. Meu nome vai e eu fico aqui. Joelhos e ombros desalinhados beiram alguma coisa que ninguém quer saber. Abri as cortinas por engano, e o sol que entrou, entrou rápido e forte demais. Me senti cega e com os olhos quase secos e me chamei de volta. Volta. Volta. Fiquei atrás da porta. Não em busca, mas parada ali. O nome foi para o chão e os pés se apoiaram na parede – cor de rosa, como um ex-mundo. O corpo cabia, frágil, naquele pequeno corredor ante-quarto. Acima, um quadro preto e branco, feito a lápis há 10 ou 14 anos. Não era espelho. Era um retrato feito por um alguém qualquer numa madrugada já cheia de sono. Estava quase sonhando e levantei o rosto num susto para fazer pose. Tudo foi congelado num sincero sorriso falso. E quem diria... Quem diria que se sentiria tão velha e teria vontade de ter força e quebrar, silenciosamente, aquele vidro, rasgar aquele papel e fazer mágica. Fazer mágica. Mágicas mentiras vistas com glamour. O glamour existia e as mágicas também. E tudo isso agora é apenas um ar rarefeito. Bem mal-feito. E então? Quais segredos serão deixados agora no baú de frases soltas? Quais segredos serão amigos e me farão conhecer como sou, fui e serei? E agora? Patética mania de acreditar. Continuar a matança para ser feliz. Desviando o ego pro rumo da ignorância.


Foto: mais uma do Parque Capitão Ciríaco

7 comentários:

aldine disse...

"Patética mania de acreditar. Continuar a matança para ser feliz."

Cada dia fica melhor!

=*

Janu Schwab disse...

Todo passo faz um estrago. Tudo na vida tem esse e aquele lado.

abraços!

Yuri Marcel disse...

Eu queria fazer mágicas, explodir coisas, sumir com as pessoas, teletransportar.

=*

Suellen Verçosa disse...

Certas vezes penso que imagens refletidas de espelho, são nossos rascunhos mal feitos!

Porque só se pode ver o exterior, enquanto temos sempre tão mais...

bjus moçaaaaaa!
Tava fugida do blog, mas agora tou voltando!

Veriana Ribeiro disse...

gostei do texto. Achei bonito e poetico, mas juro que me perdi na segunda parte. Tive que ler de novo pra entender (ou achar que entendi).

O teus escritos estão cada vez melhores. Me encantam a cada dia.

beijos

Um produto da mente disse...

Quanta densidade! Essa sua fase tá que tá hein? rs. Tá belíssima.
Nem faço idéia de como esteja o Planeta chamado Gisellexl.

Menina de óculos disse...

XL..
quer participar do Ciranda de Texto??
Lê aqui pra entender melhor!!!

http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.php?pag=displayConteudo&idConteudo=2898&idConteudoTipo=1