sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dia-a-dia

Justiça

Me falaram para procurar a justiça, como se ela fosse uma pessoa. Logo, eu faria uma ligação e pronto: teria encontrado a justiça. Decidi deixar pra lá, mesmo não tendo tanta certeza de pra onde as coisas vão quando a gente resolve deixar pra lá. Não que eu aceite ou desista fácil, não, nada disso. É que eu faço um exercício diário para não me aborrecer com pouca coisa.

Para isso, uma das lições é compreender que nada nasce com valor próprio. As coisas – tudo na vida – têm o valor que cada um de nós – seres nada confiáveis – dá a elas. E a gente exagera justamente naquilo que não deveria ter valor nenhum, justamente naquilo que o alheio já dá valor demais. E gente se influencia e vai junto. E aí, aquelas coisas completamente banais nos atingem de forma constrangedora, nos estressa, tira o sono. Não que eu seja adepta ao “foda-se e seja feliz”. Na verdade, eu nem gosto muito desse negócio de mandar qualquer coisa se f.... É o tipo de “palavrão” ou “expressão de raiva” mais besta e inútil que existe. Aliás, eu acho que não existem muitos palavrões inteligentes e úteis por aí.

O engraçado é que eu decidi não me importar – e deixar pra lá, e nem procurar a justiça – depois de ter ouvido pela segunda vez exatamente a mesma coisa, só que, dessa vez, com um nível de gentileza um pouco mais raro. Quando será que o mundo vai entender que a melhor forma de influenciar, fazer mudar de ideia, convencer alguém é sendo gentil?!

Eu entendi a situação – um tanto quanto injusta, é verdade – me convenci, deixei pra lá e ainda voltei pra casa feliz, afinal, fui tratada de forma exemplar numa instituição pública (na Ufac, veja só!).

Afinal, que importância tem um Certificado de Conclusão de um Curso de Ensino Superior?! Que importância tem um registro de jornalista no Ministério do Trabalho que vai permitir, por exemplo, que eu me sindicalize?! O que custa esperar pela prova do Enade e fazê-la? Pra quem não sabe, o Enade é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Eu fiz a prova no início do curso e agora, farei novamente. A moral é saber se aprendemos alguma coisa na faculdade, dependendo disso, o Curso ganha uma nota e ficamos sabendo se ele presta ou não. A prova é incluída na grade do curso, portanto, não posso colar grau sem antes fazê-la.

E se eu cursei o ensino superior, faço questão de ter o registro de jornalista diplomada, mesmo podendo ter do outro tipo. Não vou entrar na discussão da obrigatoriedade ou não do diploma, tenho uma opinião bem particular em relação a isso, e o meu blog não é pra discutir idéias, argumentos, política, seja o que for... Meu blog é apenas um espaço para sentimentos, impressões e outras coisas inúteis assim. E realmente, tenho coisas melhores para me preocupar neste fim de ano. E a previsão do tempo é: muito frio na barriga.

Catando coquinho


Eu tava lá, vendo a meninada toda se lambuzando de tanto comer coquinho, e como não sou nenhum pouco invejosa, quis comer coquinho também. Ah, quis sim! Mas como eu quero ser "A" independente, fui lá no pé buscar o meu próprio coquinho. Foi então que eu compreendi perfeitamente a moral da expressão “vá catar coquinho!”. Maninho, nunca imaginei que catar coquinho fosse algo tão chato e difícil. Os coquinhos ficam camuflados na grama, e a gente tem que ficar passando a mão na terra, porque entre as dezenas de coquinhos podres pode ter um que preste, e não dá pra ver, procurar com o olho, tem que ficar passando a mão! Aff! Nesse dia, eu tive que ficar só olhando mesmo...

Curso Abril, Maio, Junho...

A Editora Abril divulgou o número de candidatos inscritos no Curso Abril de Jornalismo. São 3272 candidatos espalhados por todo o Brasil, com exceção do estado do Amapá. Do Acre, veja só, existem DOIS concorrentes. Bem, eu sei que um sou eu, na categoria texto, que é a mais disputada, com 2144 inscritos. Além desta, existem as categorias Mídias Digitais, Vídeo, Fotografia e Design. O fato é que estou “super-hiper-mega-curiosíssima” pra saber quem é o “2”. É que essa pessoa deve ser, no mínimo, alguém que, assim como eu, quer qualificar o seu trabalho e se informa e busca alternativas para isso. Enfim, boa sorte pra gente! Seja lá o que aconteça, eu acho que nem poderei participar das próximas seleções... E isso nem me aflige, de verdade. Vou me preparar mesmo é para enfrentar o frio na barriga, já previsto e confirmado.

Eu sei que...

Se chatear duas vezes pela mesma coisa é o mesmo que errar duas vezes. E, como vocês sabem, errar é humano, mas, errar duas vezes... ;)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O mundo tem mais cor

Ou: uma lente muda tudo!


- E ai Giselle, me conta, o que você tá sentindo? O que você tá achando?
- O mundo tem mais cor.

Foi o que eu respondi ao doutor depois que ele colocou uma lente de 6 graus para miopia no meu olho esquerdo. É verdade que eu ficava imaginando como seria ter os dois olhos funcionando, mas não que a diferença seria realmente assim tão grande. O fato é que eu tenho um caso meio esquisito. Meu olho direito é literalmente direito e funciona incrivelmente bem, a ponto de um médico até me parabenizar por isso. Mas meu olho esquerdo é totalmente desregulado e me proporciona apenas a visão de vultos, luzes e cores embaçadas.

Uso óculos desde criança, mas logo “dei fim” neles porque comecei a usar aparelho nos dentes. Meu círculo de convivência não permitia que uma criança que usasse óculos e aparelho nos dentes fosse feliz, livre de alugações e piadinhas sem graça. Coisas de criança, sabe? Na época, os óculos nem fizeram falta. Um tempo depois de tirar o aparelho, voltei a usar óculos. E aí, a coisa estranha foi detectada. Me consultei com dois médicos e cada um sugeriu algo diferente:

Opção 1, médico X: Usar uma lente de contato, apenas no olho esquerdo, para corrigir a miopia e o astigmatismo.

Opção 2, médico Y: Usar um óculos. No olho esquerdo (o olho que não presta), sem grau nenhum, plano. E no olho direito (o olho bom), um grau de 0,5, já que é o olho que, de fato, uso, portanto, ele acaba ficando sobrecarregado e daí a dor de cabeça.

Fiz o mamãe-mandou e optei pela opção 2. O médico Y argumentou que seria muito difícil eu me acostumar com a lente, pois pro meu caso ela não seria gelatinosa, seria dura, menor que o olho, desconfortável. Eu precisaria de um esforço talvez não muito necessário, já que enxergo muito bem com o olho direito. Até fiz um teste para usar a lente de contato, mas não foi uma experiência muito feliz. Meus olhos despejaram mais lágrimas do que quando eu tive a minha primeira crise-existencial-amorosa e em menos de dois minutos a lente simplesmente se jogou para fora do meu corpo.

Passei dois anos usando óculos. Depois, numa consulta de rotina, para revisão, o grau do olho bom aumentou para 0,75 e o olho ruim continuava ruim. Diz o médico Y que é normal que o grau do olho inicialmente bom aumente com o tempo e coisa e tal... E eu fiquei com a preocupação: o olho bom vai um dia chegar a ser tão ruim quanto o olho ruim?!

Algum tempo se passou e uma dor de cabeça voltou a reinar nos meus dias. Decidi me consultar com um terceiro oftalmologista. Dessa vez, um japinha engraçadinho, novo na cidade. Expliquei o meu caso. Ele me examinou e confirmou o que eu disse:

- É, você tem uma grande diferença de grau entre olho e outro.
- Pois é...

Então, iniciamos uma série de exames. Máquina aqui, máquina acolá, colírio aqui, colírio acolá. O japa examinava, cruzava os braços, colocava a mão no queixo, olhava pra cima e ficava pensativo. E eu continuava com aquele ar de “pois é”.

Andou pra lá, andou pra cá. Até que o japa decidiu! Disse que deveríamos fazer um teste. Abriu uma gaveta, puxou um pacotinho, tirou uma lente e colocou no meu olho. Pisquei, pisquei, pisquei... De repente, o mundo ganhou mais cor, mais luz, contraste! Ele me deu a lente de presente e disse pra usá-la durante três dias e, se a minha vida melhorar, que eu volte lá e encomende uma com grau mais específico. Neste caso, a lente não é tão desconfortável porque corrige apenas parte do problema. Mas muda tudo!

Voltei para casa rindo à toa. Fiquei deslumbrada e até emocionada com tamanha mudança. Quanta coisa eu estava perdendo! Mas, como alegria de pobre dura pouco, estava eu vendo Tv, deitada na cama, tão tranqüila, feliz e confortável que até esqueci que usava uma lente. Cocei o olho e, imediatamente, o mundo perdeu o brilho. A lente tinha escapulido, catei, caiu, catei novamente, caiu, embolou na cama, catei, mas dessa vez, ela me voltou toda dobrada, embuluada, miúda. Molhei, tentei consertar, colocar de volta, mas nem...

Diz a minha mãe que pareço ter ficado com o olho maior que o outro. Mas esse seria o menor dos problemas. Aliás, eu disse a ela, eu sempre achei mesmo que tinha um olho maior que o outro, sempre me achei meio vesga, sei lá, mas é o tipo da coisa que eu sei que ninguém nunca vai me confirmar. Mas pelo menos agora eu sei que o mundo tem mais cor do que eu imaginava. E isso é uma coisa que só eu pra concluir comigo mesma, afinal, ninguém nunca iria me dizer isso também.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Melhor que chocolate

Uma delícia o gosto desse sorriso que se abre, miúdo e discreto e talvez até meio perdido, quando estamos sozinhos navegando pelas páginas cotidianas da vida virtual em busca sabe-se lá do quê...
Aliás, em busca exatamente disso, de algo que nos faça sorrir de surpresa e com vontade de verdade.

Delícia de abraço, delícia de carinho, delícia de poesia que vem lá de longe, sem a gente esperar, e se faz presente bem mais que muito presente...

eu aproveito para me lambuzar toda.

coisas de ipê amarelo (que antes de ter trilhado as linhas de um poema, eu nunca tinha parado pra observar); coisas que aprendi com uma moça que tem um caso poético, e que na verdade, só tendo um caso como esse pra entender e explicar.

Wal, querida, que sorte a minha ter uma amiga-poeta-que-cinema como você!

é que eu arrisco um verso no meio da tarde e, à noitinha, ganho de volta um poema inteirinho.

sábado, 15 de agosto de 2009

Odeio

Amor... Você já amou? Horrível, não? Você fica tão vulnerável. O peito se abre e o coração também. Desse jeito qualquer um pode entrar e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, pra que nada possa te causar mal. Aí, uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outra, entra em sua vida idiota. Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa idiota como beijar você ou sorrir e, de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e te deixa chorando no escuro. Por isso, uma simples frase como "talvez a gente devesse ser apenas amigos" ou "muito perspicaz" vira estilhaços de vidro rasgando seu coração. Dói. Não só na imaginação ou na mente. É uma dor na alma, no corpo, uma verdadeira dor que entra-em-você-e-destroça-por-dentro. Nada devia ser assim. Principalmente amor. Odeio amor.

Neil Gaiman

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais uma canção


Quando a gente descobre a música ...
...
..
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Let it be

Vai ser sempre uma trilha sonora das cenas para recordar. Seja de uma tarde vazia, um domingo na praça ou das risadas por causa do barulho de água na barriga. Das cenas que congelam e acontecem em câmera lenta e ao mesmo tempo naquele ritmo que só nos deixa gravar uma mistura de cores, traços e texturas. O que é mais fácil, provável, próximo, certo vira o que a gente quer. E eu cato o que deve haver de tão errado numa vida pacata, de alguns poucos amigos, mas de minha gente, dinheiro pra pagar o chop na beira do rio e de poesia que a gente mesmo inventa e destrói também. Eu tenho medo do medo, do coração acelerado, da perna bamba. Sonhei que estava numa roda-gigante, com uma amiga e mais uma porção de desconhecidos. Minha amiga gritava de emoção e eu, de olhos fechados e em silêncio, podia jurar que estava tendo a melhor sensação que todos eles, de olhos bem abertos e aos prantos, podiam ter. É sempre assim, uma espécie de vencedora que tem a vida a perder. Vou jogar a moedinha, deu certo uma vez. Eu até que ando dormindo meio sem pensar em nada e acordando meio sem por quê. Mesmo assim, queria pensar um pouco menos. Esqueço de ligar o som, de fazer a listinha de afazeres e de comer uma barrinha de cereais entre cada refeição. Agora, Let It Be tem sido um som distante, curto, baixinho. Mas eu me lembro que vou presentear minha afilhada, no seu primeiro aninho, com o seu bolinho de aniversário. Vou encher balões, colocar um chapeuzinho e brincar no chão. Quando paro pra lembrar e falar das imagens que tenho, não consigo saber se eram realmente fotos alheias que bisbilhotei, momentos que vivi ou filmes que assisti. Não me diga que é um caso perdido, alegria que não tem onde encostar, interpretação semiótica inútil. O meu pedido é um silêncio, embalado pra viagem.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Enfim, o fim!

Ou: existe vida inteligente pós-monografia?

Eu diria que sinto uma ressaca. Mas a vontade de passar o dia inteiro largada na cama já me acompanha bem antes disso. O 10 na monografia foi com muito louvor e emoção! Com direito à lágrimas nos olhos e tudo mais. Todo final, por mais feliz, tem um lado obscuro. E essa é uma das características que nós, pobres mortais, carregamos: nunca encontramos a felicidade plena nessa dimensão carnívora (seja lá o que isso signifique). E esse assunto não é nenhuma novidade pelas linhas de cá, aliás, isso sempre acontece: deja vu de texto, já disse, não disse? Me sinto mesmo um tanto monótona...

sorriso besta =)

Terminar a monografia foi algo feliz – apesar dos apesares (eu sinceramente acredito que não transcrevi o Chico Pop que conheci). Mas acordar e não ter mais encontro marcado n’A Cidade Se Diverte nem é tão divertido. E nada foi realmente difícil (ahh, falar isso depois do trabalho pronto é tão fácil!). Eu devo ter passado coisa de dez meses nessa imersão Chicopopiana (lendo livros, ouvindo músicas e assistindo a filmes do gosto dele), mas ainda tive tempo de ir no Arara’s (também sou uma pesquisadora social), inventar discórdia com meu namorado (também sou geminiana), ver novela (também gosto de futilidades), ler horóscopo ou livros de assunto alheio... (ah, interesse por assuntos diversos, ok?).

O fato é que eu não vou falar do provável: o alívio, o que eu aprendi ou desaprendi, os conflitos éticos e pessoais, a vontade de dominar e mudar o mundo por meio do jornalismo cultural, os planos para o futuro... Não, sobre essas coisas a gente conversa por aí, e se eu engordei ou emagreci, o importante é que emoções eu vivi (não me restavam forças para preparar uma janta saudável, caminhar no parque ou fazer yôga, mas o brigadeiro de panela era obrigatório!).

Aqui, prefiro assumir um lado meio-sem-noção-que-me-dá-liberdade-para-mudar-de-assunto-a-hora-que-eu-quiser. Agora eu tenho o programa que baixa vídeos do Youtube. Numa semana, baixei mais de 140 clipes e isso é muito legal. Não sei até quando o meu computador vai agüentar, ou se eu tenho cometido algum crime, mas tem sido divertido. Me rendi à comida japonesa (com algumas restrições, por enquanto) e ainda me falta um siso pra arrancar (ô saga!). Além disso, Intercom vem vindo aí numa das cidades mais frias do país (com direito à gripe suína). Muita empolgação e medo! Medo não da gripe, mas do frio! Portanto, quem tiver um casaquinho dando sopa por aí, lembre-se de mim, sim?!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

d'Auto-ajuda

* Leia todos os álbuns de cartuns de Calvin e Hobbes que encontrar.
(Não chore sobre o leite derramado... Ernie J. Zelinski)


Opaaa! Leio sim! :D


HAHAHA


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Chove.

Houve um tempo em que uma Lei inter-pessoal me restringia quanto ao uso da palavra “amor”. A primeira vista poderia soar estranho, bobo ou até um tanto inútil. Mas era uma forma de respeito ao que de mais romântico poderia haver, de tão raro... “Não citar a palavra em vão”, justamente uma maneira de não banaliza-la. Era certamente por influência direta de uma segunda pessoa que já virou terceira ou quarta.

Numa das minhas leituras aleatórias, desregrada e anarquista, sem ritmo ou técnica, me deparei com versos assim:

(...) “Nunca dissemos a palavra amor. Isso se deslizava, de contrabando, quando dizíamos: “Chove”, ou dizíamos: “Sinto-me bem”, mas eu teria sido capaz de meter-lhe uma bala na memória para que não lembrasse nada de nenhum outro homem”. (...)

Daquele momento da leitura em que os olhos pulam do corpo e tomam outro rumo, vida própria. A gente paralisa a leitura, mas lê mais uma vez, e novamente, e em seguida com voz alta. Depois quer escrever, grudar na parede, recitar... Compreendi e descompreendi um pouco mais também. Mas quantas vezes? Quantas vezes somos capazes de amar sem contar e dizer? De forma anônima, silenciosa? E de que serve isso, se o que o homem mais precisa é de amor? E se o amor é justamente a coisa mais bela e sincera que pode existir na humanidade? E quantas balas, socos, bombas já não tivemos a vontade de atirar em lembranças e memórias?

O fragmento é de “A Moça de Cicatriz no Queixo”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

domingo, 31 de maio de 2009

vinte e dois

Houve um tempo em que fazer aniversário era a coisa mais legal que podia acontecer no ano. Por quê? De repente, de uma hora pra outra, a coisa se inverteu e tomou outro rumo. Trauma de infância, talvez. Quer dizer, talvez nada. Certamente. Desde então eu tenho a mania de ficar a espera de algo que nunca vem. Sempre dá tudo errado, meio do avesso, e sempre fico mais confusa. Por quê? Neste ano, não tenho nada novo pra pendurar no mural e isso me soa um tanto doloroso. O pior é quando alguém faz questão de te torturar: ao ver o tédio escrito em letras garrafais na sua testa, insiste em ficar perguntando o que você tem, o que está acontecendo, por que você é assim? E aí a coisa fica atravessada na garganta, e todas as minhas forças se vão numa batalha interna sangrenta para eu não ter que assumir e explicar... É que eu me reconheço meio injusta, meio besta, meio infantil, meio mimada, meio idiota, meio o que for... E eu poderia falar do Congresso de Jornalismo Cultural, da prova da Folha de S. Paulo, da minha sorte pra determinados assuntos (bem específicos, por sinal), do StarBucks, do Budapeste, do Anjos e Demônios ou até da Alice no País das Maravilhas. Poderia falar de saudade, de nostalgia ou algo sobre um certo desânimo monográfico. Mas ah, quem se importa?! Fico mesmo a fazer uma valsinha com os pés solitários debaixo do edredom, morrendo de inveja do que o vento faz com a cortina e sem saber o que pensar sobre o Bem-te-vi que canta lá em cima da antena da Tv.

domingo, 19 de abril de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Dama da Noite


eu mantenho a distância, e você?!


Às 9horas da noite ela começa a brotar; à meia-noite está totalmente aberta; por volta das 3h da madrugada está completamente murcha (morta para todo o sempre). Assim é a tal da Dama da Noite. E como eu sou uma garotinha de sorte, tem uma dessas aqui em casa. E pra minha sorte de novo, ela fica bem na janela da cozinha, quase entrando. E pra minha sorte ainda, ela fica bem em frente à cadeira que eu sento à mesa. Oh, céus!

Preciso dizer que essa flor me causa certo desconforto? Uma estranha sensação de terror? Sendo mais direta: eu morro de medo dela, e quando a vejo se abrindo, pensamentos negativos invadem a minha cabeça descontroladamente ao mesmo tempo que uma tristeza aguda alfineta o coração. Eu sei que ela não vai sair correndo atrás de mim, chupar o meu sangue, me estuprar e depois me estrangular e comer o meu intestino frito... Eu sei, eu sei. Mas tem coisa mais estranha, medonha, esquisita, sinistra do que uma flor assim?

Dama da Noite já murcha. Inofensiva? Ahhh, à mim ela não engana!

E tem mais: ela tem um cheiro fortíssimo. Quando eu chego em casa meio tarde da noite, sinto o cheiro dela de longe. Vocês podem até dizer: “Mas que menina mais insensível!” Só que não é bem por aí, ao saber que aquela flor que está brotando já tem hora para morrer e não vai nem ver a luz do sol, a sensibilidade aqui fica literalmente à flor da pele. Aliás, uma flor que brota uma única vez na vida, à meia-noite, e dura cerca de seis horas não deveria nem ser chamada de flor. Pra mim, flor tem que ser daquelas que brotam em determinada época do ano, na primavera de preferência, são pequenas e coloridas, duram algumas semanas, dão fruto e caem deixando um lindo tapete de pétalas no chão, simples assim.

Florzinha do Parque Capitão Ciríaco. Beleza e simplicidade, será que é tão difícil?

A Dama da Noite é branca, enorme – quase do tamanho da minha cabeça, e nem fruto dá. Eu devo ter sim algum trauma de infância em relação a esses seres vivos. Ora, na escola me diziam que as árvores choravam à noite por causa dos maus tratos do homem. A casa da minha avó é bem arborizada e ela conversa com as plantas todas as manhãs. Minha mãe diz que as plantas só nascem em casas que têm carinho para oferecer e sempre culpava meu pai pelo fato de as plantas que ela tentava plantar nunca darem certo, porque pelo meu pai todo o verde seria exterminado do planeta. Mas aí ela conseguiu reverter a história e aqui em casa já tem planta pra todo lado, inclusive essa Dama da Noite.

Com a natureza não se brinca... (eu e o Igor, no Parque Zoobotânico da Ufac).

Mas bem, voltando à casa da minha avó: certa vez, quando criança pequena, eu estava lá e tinha uma mangueira jorrando água. Então, eu inocentemente peguei a mangueira e fui regar a multidão de planta que tem lá, num ato de carinho. Uma delas tem uma folha enorme, na época do meu tamanho, e sabe-se lá o que acontecia que quando eu jogava água nela ela se movimentava como se fugisse do banho. Devia ser o ângulo formado entre eu, ela e a mangueira, sei lá, só sei que ela não molhava e fazia um movimento como se fosse um “não” com a cabeça... Rapaz, o mundo parou por um segundo e em seguida eu larguei a mangueira e abarquei numa carreira dali para nunca mais chegar perto de planta.

Gostar de planta eu gosto. Aliás, adoro verde, adoro a natureza... Mas, por favor, os tipos tradicionais, nada muito exótico. Ok? E na verdade, eu também fico com peninha da moça que trabalha aqui em casa, porque ela gosta muito de plantas e ajuda a minha mãe nos cuidados. Mas nunca tem a chance de ver a Dama da Noite, quando ela chega de manhã e vê a flor lá murcha, passa o dia se lamentando “poxa vida, eu só vejo ela assim...” Sorte a dela...

domingo, 8 de março de 2009

descobertas

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[de] Maria Clara
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as mãos

a água

a preguiça

o mamão


*e eu desvendando o meu novo brinquedinho de bater foto! xD

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Leiaute

Era pra ser uma coisa miúda, simples, discreta, silenciosa e talvez até meio insossa (como eu?). Mas aí, ele me aparece com uma coisa extravagante, confusa, barulhenta, cheia de cor e ruído (como eu?).

Teimosia, coisa típica de designer, né? Adoreeeeeeei!

Apresento-lhes o mais novo leiaute do meu blog, sob a assinatura – assim como o anterior - do meu irmãomigo (meu Sucesso-Urbano-Cavadão*) Ulisses Guimarães (sim, ele vive, quase como na mitologia grega ou romana) ou Ulses (devido ao chá de sumiço que ele deu a todos os “i’s” de uma determinada publicação), vulgo Lissitos (leia-se com sotaque carioca, tipo: Lissitoas).

Valeu!!!

*um mix de Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Biquini Cavadão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

“e à torcida do Flamengo, aquele abraaaaaaço!”

É mais difícil postar algo quando você quer simplesmente postar algo. E eu preciso atualizar porque esses textos longos dos postes anteriores já estão me enjoando quando eu entro aqui. E saber que certas pessoas “me visitam”, aí é que fica mais difícil mesmo, aumenta a auto-censura, entende? De qualquer forma, eu vou lembrar que este blog só tem uma única pretensão: a de não ter pretensão nenhuma. Não é um blog de política, de crônica, de piada, de jornalismo ou de poesia; este blog não está atento às novas regras da gramática, não segue linha editorial específica, manual de redação ou coisa que o valha; nem mesmo ousa ser um blog legal de futilidades... Nada disso (sim, porque tem cada blog de futilidades aí tão legais! E não estou sendo irônica não, não deve ser fácil manter um blog de futilidades interessantes. E às vezes eu acho que as pessoas precisam mesmo é ser um pouco mais fúteis, chega de seriedade, chega de papo-cabeça, o efeito estufa está acabando com o mundo, mas eu ainda não sei se pra fazer a minha parte é melhor eu consumir carne de boi ou soja; ainda não decidiram se tomar líquido durante as refeições faz mal, e eu acredito que “se as pessoas se abraçassem mais, haveria menos guerra”, é o que me dizia a Thielly e eu concordo completamente. A desigualdade social continua crescendo, mas o mundo também precisa de calor humano.

Kaline e o seu abraço por um mundo melhor
(ei, dexa eu usar a tua foto no meu blog? deixa?)

A moral da história é que eu me sinto meio “tropicalista”. Sim, porque agora, finalmente, eu consegui compreender que “diaxo” foi aquilo. E num foi por meio de livro não, resolvi o meu problema em poucos minutos com vídeos super didáticos do youtube. Se bem que eu ainda não decifrei onde entra a Jovem (ou a Velha) Guarda na história, e muito menos o Raul Seixas, por que, afinal, ele não fazia parte da panelinha? Ele também não era baiano? Será que não se misturar fazia parte do trato que ele fez lá com os seres do além? Aliás, quando mesmo que começou essa história de artista fazer pacto, vender a alma, em busca de sucesso? Isso é invenção da modernidade, veio com a revolução industrial e com as convergências digitais? Ou já se falava disso desde os primórdios da humanidade? Eu preciso – assim, daquelas necessidades inexplicáveis - entender tudo, tim-tim por tim-tim, quem era quem, quem conhecia quem, quem fazia o quê, o problema é que quanto mais eu entendo, mais dúvida eu tenho. Por isso, às vezes, eu prefiro ficar sem entender mesmo. E ser feliz e tentar ser menos confusa e pronto!

... nunca mais eu vou dizer que essa vida me aborrece, Punky!

Mas bem, eu preciso dizer que sou uma nova mulher. Tirando o fato de que a minha rotina tem sido preenchida com o vazio existente entre ar-condicionado (lembra do efeito estufa?), a minha cama e a Tv (as novelas da Record – ou seriam do SBT? - são até mais interessantes que as da Globo, sabia? As histórias são mais absurdas e surreais. Embora os atores não sejam assim, uma Brastemp). Pude descobrir que eu prefiro o ambiente de um salão de beleza, ao de uma academia. E pode ter certeza que isso tem um “quê” de sexismo mesmo. As academias estão cheias daqueles homens suados, fedidos, que ficam posando na frente do espelho e se achando o máximo, malhando com camisa de blocos de carnaval, de boné, de munhequeira ou bracelete (tipo aqueles de emo), e detalhe: nem fazem um alongamento que preste! Jogam pingo de suor pra tudo o que é lado, falam de coisas que... Meu Deus, eu não sei nem falar do que eles falam. Aliás, acho que eles não falam nada. Nadinha. Enquanto que os salões de beleza estão cheios de mulheres cheirosinhas, arrumadas e bem bonitinhas, falando sobre tudo, nada ou qualquer coisa. Isso pode ser meio lésbico, eu sei. Mas é uma questão de cena, de imagem fotográfica, de sensualidade humana, de glamour próprio (cara, eu me amarro na palavra “glamour”, se você disser que gosta de algo porque tem um “glamour próprio”, não há mais o que se discutir, o debate acaba, entende?). Definitivamente, homem é mais sexy no trabalho, sacô? Eu nem sei por que entrei nesse assunto, (realmente há algo errado por aqui), eu ia falar que me sinto uma nova mulher porque nos últimos dias fiz os investimentos mais caros da minha vida: comprei um protetor solar e uma máquina fotográfica. Urruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuul!!!!!!!!!!!!!!!!! \o/ E tô tranqüila, eu sei que terei bons retornos.

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ps: Stefane, faça logo o seu blog, okei?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A hora da escola – sem mochila, sem estojo e sem fechaduras complicadas, por favor (mas com Chico Pop!)

Ok, ok, se eu decidi estudar, então que assim seja. Na minha longa vida de estudante, uma das poucas coisas que eu aprendi é que cada um de nós tem o seu próprio jeito para se dedicar aos estudos. Sua própria forma de aprender, de assimilar informações e de adquirir conhecimento. É como um relógio biológico, que cada um tem o seu e é preciso respeitá-lo.

Então, cá estou eu em casa, numa única e exclusiva obrigação: fazer a monografia. Há muita coisa para ler, e sou capaz de dedicar longos 25 minutos à leitura. Depois disso, durmo os próximos 40 minutos; fico bolando na cama, em frente à Tv, durante os próximos 30; como baboseiras enquanto ando feito uma barata tonta pela casa durante os próximos 25. Vou para internet, converso no Talk ou no MSN, fuço Orkut alheio e leio blogs e outras coisas inúteis durante os próximos 120 minutos... Nada de leitura livros, de jornais como o Folha de São Paulo, G1, Estadão ou de coisas que poderiam me ajudar na tal monografia, nada disso. O meu lance é BLOG - dos ruins, como o meu, de preferência. Blogs que publicam letras de música, textinhos de garotas revoltadas, declarações de amor, fotos sem nexo, versos clichês. Eu sou capaz de passar a tarde toda lendo sem cansar. Pronto, falei!

E assim se passa uma manhã, uma tarde, um dia inteirinho e nada de uma leitura séria e proveitosa. Certo dia eu arrisquei outra opção: estudar na Biblioteca. Não tinha cama, não tinha baboseira pra comer, não tinha Tv, tinha computador (mas é preciso pedir permissão pra usar, o que de certa forma me inibia, porque eu queria usar durante um tempo, dar uma voltinha, depois usar novamente...) Enfim, foi um fracasso. É verdade que eu adiantei a leitura sim, mas foi torturante. Definitivamente, meu biológico não foi feito para sentar e se concentrar numa coisa só. O problema é esse: concentração. Eu acho que só consigo fazer algo e efetuar uma tarefa, se eu me concentrar em várias coisas ao mesmo tempo. Lá na biblioteca, entre leitura e outra de 25 minutos, o que eu tinha pra fazer (além de ler) era dar umas voltas, beber água e ir ao banheiro. Então tá, foi o que eu fiz até me deparar, mais uma vez, com aqueles momentos em que você pensa: “Meu Deus, por que isso só acontece comigo? POR QUÊÊÊÊ???”

São tantas as opções de fechaduras que o mundo nos apresenta...

Bem, a história foi a seguinte: então, eu bebi água e fui ao banheiro. De cara eu saquei que a fechadura da porta estava emperrando, por isso, não tranquei. Tudo certo até então. Voltei aos estudos (ou tentei voltar). E depois de meia-hora, lá estava eu, novamente, em busca de fugir dos livros. Repeti a cena: fui beber água e fui ao banheiro. Dessa vez, esqueci e nem percebi que a fechadura estava com problema. Lembrei quando tentei sair... Pois é, senhoras e senhores, eu – “que já andei pelos quatro cantos do mundo” - fiquei trancada no banheiro da biblioteca. A maldita não abria de jeito nenhum. E então eu fiquei sentada no vaso rindo da minha sorte. O jeito foi subir nele e pedir socorro às duas moças que estavam lavando as mãos. Chamaram outra moça, que chamou um cara, que ligou não sei pra quem... Enfim, teve até um que, ao ser perguntado se aquilo já havia acontecido antes, respondeu: “ah, ontem mesmo uma ficou presa aí...”. Ah, tá. Pois é. Menos mal. Então eles me orientaram a puxar a porta, levantar, empurrar, tentar abrir com força, com delicadeza, rápido, devagar... Todas as formas possíveis. Até que chegou um e disse a palavra mágica: “Gire a fechadura pro lado contrário”. Foi o que eu fiz e a porta se abriu.

Quem teve a idéia de fazer fechadura que abre ou fecha sendo girada pro lado oposto do óbvio? Vocês já devem imaginar que depois daí já não havia clima para estudos.

Mas a história não se acaba por aí, caros amigos. Nesse dia, eu havia acordado com vontade de comprar uma mochila. Sim, eu quero estudar e pra isso – pensei – terei que ir à biblioteca carregando livros, e como eu sou uma garota moderna (que mesmo tendo carteira de motorista, anda a pé), decidi que o melhor a fazer era adquirir uma mochila pra carregar as minhas tralhas. Eu tinha até assistido a uma matéria na Tv, com dicas sobre como escolher mochila mais adequada para cada pessoa. Bem, e como naquela tarde já não iria mais conseguir estudar, resolvi passear em busca da minha mochilinha.

Não demorou muito e eu achei a mochila mais linda e perfeita de todos os tempos. Não muito grande, não muito pequena. Com um corte super delicado, e com umas estrelinhas miúdas e estampadas nas cores branca e rosa. Linda-Linda! Entrei na loja pra ver preço e experimentar. Logo quando anunciei que queria ver aquela mochila, a vendedora me fez infeliz pergunta: “Vai entrar na faculdade é?”. “Nada, to saindo...” (da faculdade e da loja). É, acho que aquela mochila não é pra mim. Não sei. Talvez eu tenha demorado demais para ir comprar uma mochila. Aliás, onde eu estava com a cabeça, ao entrar na faculdade, que não fui comprar uma mochila como aquela? E quantas outras coisas eu deixei de fazer? Acho até que ficar trancada em banheiro também não seja coisa de quem está saindo da faculdade (embora eu tenha passado o curso todo usando um banheiro que nem porta tem – ah, fala sério, eu não vou considerar aquilo uma porta!)

Jornalismo Turma 2005: Traje à rigor pra apresentar a Tv dos anos 80 (pelo menos trabalhos divertidos eu fiz!)

Isso me lembra do dia em que, lá pelo segundo período do curso, eu perdi o meu estojo - meu estojinho lindo, com batom, grafite, canetinhas coloridas e tudo mais... – e um colega disse pra me consolar: “ô Giselle, todo mundo já perdeu o estojo um dia, mas no colégio! Tu esperou entrar na faculdade pra perdê-lo?”. Pois é, e deve haver tantas outras coisas que as pessoas fizeram na faculdade, que sabe-se lá quando eu vou fazer, e se vou mesmo fazer.

De qualquer forma, o que me interessa fazer neste momento, mesmo, de verdade, é a monografia. E não pensem que agora, sem “trabalho”, o blog será atualizado mais vezes. Ou que agora, com a minha dedicação sendo oferecida à monografia, o blog será esquecido. Não pensem em nada em relação a isso. O que sei, é que já estou até chata. É que eu só consigo falar sobre meu projeto de monografia. É a pauta da vez, única e exclusiva. Só consigo falar das histórias do Chico Pop. Leio o que ele escreveu, descubro, desvendo, concluo coisas e já quero contar. Entre dez palavras que eu falo, 9,5 são sobre Chico Pop. Isso é chato eu sei. Pensei até em fazer um blog sobre a produção do trabalho. Mas acho que é só uma forma que eu, inconscientemente, busco para me distanciar dos livros e navegar mais pelo mundo blogueiro.

Chico Pop: A Cidade Se Diverte (e eu também!)

Enquanto isso, voltarei à minha busca pela forma perfeita de se concentrar nos estudos e fazer a monografia (sem estojo, sem mochila e sem fechadura complicadas, mas com Chico Pop!) Bom, já deve ter se passados umas duas horas desde que fiz minha última leitura monográfica, portanto: Tchau!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Centrífuga, chopp e “Mim ligue!”

Eu vou começar esse texto dizendo que vou começar esse texto dizendo que amo o meu namorado. Ele tem mais habilidade do que eu na cozinha (é certo que eu ainda não tive a certeza disso, mas é verdade que ele sabe se virar melhor), um paladar mais aguçado (sabe dizer o que tem na comida, ao contrário de mim, que sinto o gosto do que você disser que tem lá, portanto, posso comer carne de porco achando que é peixe, acho a comida insossa se você disser que falta sal, etc) e, o melhor de tudo, na hora da conquista não foi criativo o suficiente para me passar bilhetinhos ultra-românticos dizendo: “mim ligue!”.

Não sei se o texto do post anterior queimou o meu filme; se mostrou que é possível viver e ser engraçado com a própria falta de sorte, erros e fracassos; ou se eu devo concluir que, se há alguma boa desenvoltura por aqui, é certamente com as letras (e não com a cozinha, com a música ou com prováveis receitas que misturam isso...). Diz o Helder que o Chris Rock, do “Todo Mundo Odeia o Chris”, ganha a vida – e dinheiro - fazendo piada das “tragédias” que aconteciam na adolescência dele. E assim, hoje ele é um dos mais famosos atores e comediantes da TV. Eu não pretendo ser atriz ou muito menos comediante de TV, claro, mas fico um tantinho feliz em saber que há um bom futuro nisso. Além disso, “Everybody Hates Chris” é um dos poucos – senão o único – seriado que eu paro para assistir com gosto.

O fato é que eu ando traumatizada com a centrífuga. Tenho medo de, mis-te-rio-sa-men-te (para se ler assim, pau-sa-da-men-te), aparecer um caroço na cenoura, na beterraba, no abacaxi! E aí, enquanto eu estiver lá encantada com a produção de mais um super-suco exótico (tem hífen aqui?), a centrífuga simplesmente fazer aquele estrondo novamente, e um caroço que surge do nada, fazer voar todas as peças e tudo ir pras cucuias. Por causa disso, tenho matado a minha vontade de beber sucos exóticos por aí, em bares e restaurantes. Não tem aquele gostinho do “fui eu que fiz”, mas custa apenas alguns reais e não corro o risco de estragar uma centrífuga. E o mais importante: eu vou conseguir bebê-lo.

E num desses momentos em que eu estava saboreando um super-suco de cenoura com beterraba, eis que eu tenho o prazer de sentir o desgosto da falta de habilidade não com os sucos, mas com o Português. E nesta ocasião, eu e o meu super-suco de cenoura com beterraba estávamos diante de três chopps de responsabilidade do Ulisses, da Lidiane e da Priscila (ah, duvida que eu sou capaz de beber suco enquanto outros tomam chopp? Pois é, como eu sabia que haveria quem duvidasse, fiz até uma foto):

O que aconteceu foi o seguinte: estávamos lá – cada um no seu quadrado e felizes. Eu, com sono. Quando a gente estava se preparando para ir embora, o garçom veio aos passos lentos e discretos e me passou um bilhetinho miúdo. Veja só, era a primeira vez em toda a minha vida que eu recebia um bilhetinho num restaurante. Abri, li, passei meio segundo com o bilhete nas mãos e o joguei na mesa (ironizando, inconscientemente, a discrição do garçom, coitado...).

E lá estava escrito o que qualquer mulher quer e precisa ouvir. Lá estava escrito, com todas as letras, vírgulas e verbos, aquilo que é a chave para o homem se tornar irresistível. Lá, naquele bilhetinho de meio centímetro, estava escrito em caneta azul e letras turvas, um encantador “MIM LIGUE”, acompanhado de um número de telefone. Exatamente, MIM LIGUE! O Ulisses não perdeu tempo e disse pro garçom: “pô cara, diz pra ele aprender a escrever, que ela liga!”. (Tudo bem que depois a gente ficou na dúvida se o garçom entendia que o bilhete tava errado, nessas alturas, já se desconfia de tudo). “Mandar um bilhete assim para uma “jornalista”, o cara teve sorte... Liga pra ensiná-lo a escrever, Gisa...”, disse a Priscila... E aí a gente foi embora.

E eu fui pensando: será que alguém ligaria? E o que custava escrever algo como: “Minha flor, ‘mim ligue’”, acho que iria ser menos feio (embora eu não ligasse mesmo assim). Mas se o cara é meio analfabeto, precisava ser também grosso e autoritário? Nessas horas, eu vejo como o mundo está realmente perdido. Afinal, se as pessoas não se preocupam em ser carinhosas e inteligentes nem na hora da conquista, onde haverá amor?

Eu não sei cozinhar, mas nem por isso ando por aí fazendo os outros experimentarem as minhas receitas. Quem sabe o cara pode até ser um expert nos sucos exóticos, mas me mandar um bilhetinho curto, grosso e errado, não vai despertar nem um pouco o meu interesse. De qualquer modo, o “mim ligue” foi piada por alguns dias. E depois que eu soube que o autor do bilhete foi o filho do dono do restaurante, tudo fez sentido. É que exatamente o nome daquele restaurante tem grafia errada, trocaram um “s” por um “z”. Não é lá um erro gravíssimo (na verdade, é sim), e com a reforma da Língua Portuguesa, eu já não sei o que é certo ou errado. Mas o chopp lá até que é bom. O suco? Hum... Quando eu aprender a manusear a centrífuga, tenho certeza que vou preferir o meu.
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obs: para evitar qualquer desentendimento, transtorno, desconforto, incômodo, ou o que for, eu quero deixar claro, claríssimo, que eu não ligaria em hipótese alguma! Ok? Apesar de você ser apaixonado pelas italianinhas... hahaha.