segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vida daninha


Mofou. Perdi uma caixa inteira de colares, porque simplesmente mofou. Foi tudo direto pro lixo. E, amigos (em especial as amigas) concordem comigo: não é fácil jogar uma caixinha inteirinha de colares no lixo. Foi-se. Peças de sementes (as jóias da Amazônia) têm essa desvantagem.


E aí eu percebi que tudo, até o meu blog, já estava sendo afetado por (minha) vida daninha: espontânea, caracterizada por uma inconveniência às vezes necessária; com grande poder de (rápida) adaptação e estruturas para dispersão. Fui à África, voltei, o ano se passou, e nada de post novo. Minha gente, a vida agora é outra.

Meu intercâmbio foi como o previsto: surpreendente! Foram as quatro semanas mais parecidas com quatro dias que alguém poderia viver. E eu nem deveria ousar descrevê-lo, unicamente pelo clichê de não ter palavras.


Tenho medo porque sei que, de qualquer forma, eu vou reduzir, diminuir, simplificar uma das maiores aventuras e emoções que já vivi: as diferenças, as semelhanças, as novidades, os mistérios, e eu acompanhada apenas da minha ansiedade e fé. Uma língua nova, um país novo. Um outro continente, uma outra cultura, uma outra casa, uma outra família (de amigos, de companheiros, de tudo).

Não fiz todos os passeios que desejei (safáris, mergulhos, vôos...), afinal, o turismo ficou mesmo em segundo plano. O intercâmbio foi pra estudar inglês e, diga-se de passagem, viajar, mudar, sair, literalmente. Não apenas encontrei ou conheci novas pessoas, mas convivi com gente de vários lugares do mundo: Rússia, Alemanha, Arábia Saudita, Japão, Coréia do Sul, Turquia, França, Itália, Peru, Colômbia, Angola, Zimbábue... E, claro, muitos brasileiros!

Pessoas diferentes, com outros estilos de vida, outros costumes e noções de mundo, todas em situação semelhante (na mesma cidade, na mesma escola) e com o mesmo objetivo: aprender inglês e ter outras experiências de vida; crescer; aumentar o leque de possibilidades; se conhecer; renovar o acervo de perguntas e encontrar respostas mais claras: “é possível” – foi a que eu encontrei.
A África do Sul, Cape Town, certamente foi uma ótima escolha, rápida e sem muita reflexão. Eu a escolheria novamente.

A pessoa é mesmo coisa fascinante. Dentro de todas as suas diferenças, crenças, contradições e defeitos. A pessoa é mesmo coisa fascinante. O que destrói é mesmo a falta de verbo, de comunicar. E conhecer – renovar – e tentar entender tem sido meu esporte favorito.



Fotos: Todas elas de lá!

6 comentários:

Álefe Souza disse...

Tu é doida de ter chegado perto dessa onça!! Maluca!!! Hehe! Aventura legal!

Bjs

#Jonnatas disse...

Lindas palavras, Giz. Realmente este momento ira marcar todas as nossas vidas. Cheguei ontem na sala e percebi que algo faltava. Era voce! kkkkk
um abraco de toda a galera da Cape
Feliz ano novo.

John

Veriana Ribeiro disse...

Cara, levei até um susto com esse teu post no blog. Achei que tinha desistido mesmo. Mas tb, que tem tempo para escrever quando se está viajando pela africa e acariciando onças?

marciapim disse...

Amei sua explanação de viagem à África do Sul, e concordo contigo...
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena; o apredizado vem quando estamos dispostos a crescer, sem medo do que os outros pensem a nosso respeito...
Tu vai longe minha amiga...me convide!! Sempre que eu tiver condições vou junto!!!
Amei te conhecer!!
Beijão, saudades...

Priscila Costa disse...

Eu estou na Europa, mas o frio aqui tá de lascar! haha To doida pra sair e conhecer gennnte nova! Mas essa lingua é um terror, apesar de quase todos falarem ingles... os dinamarqueses nao sao tao calorosos quanto os africanos! rs

aaaaaai..to perdida na Europa! HAHAHA. Eu tambem quero sentir isso, sabe... mas a -19graus as pessoas ficam em casa e preferem dormir... fica difícil pra mim. rs Os lugares todos fecham no inverno, Parque..e etc... E por aí vai! rs

;* muito massa!

Golby Pullig disse...

Difícil é acreditar que tu ficaria sem palavras pra descrever alguma coisa ou que usaria as clichê. Francamente...Eu uso um pra dizer o quanto é bom ler teus textos: quando crescer quero escrever assim. Abraço.