quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A mulher de branco, o copo trincado e alguns segredos

Houve um tempo em que a mulher de branco me fazia medo. Hoje, ela é transparente aos meus olhos. Não me importam os seus afazeres após os horários comerciais. Horários nobres, meu bem, são pra quem sabe ter.

Se a minha cabeça não para de doer, eu sei bem o motivo. É também pelo qual eu me escondo atrás duma máscara azul-cobre. Não me recordo de quem me ajudou a montar nesse cavalo. Avistei-o de longe pelo seu brilho, ofuscado pelo sol que me trás novidades eternas.

Ah não, a história de todos os dias é a mesma história de todos os dias. Não são os dias que são das mesmas histórias.

Água fervente trinca copos de plásticos. Eu sei por experiência própria. Mas não sei o que tem debaixo da mesa. Água sanitária desbota roupa de cor. Mas eu vi, na rua, a menina desfilando com uma blusa colada e com saia estampada. E ela rebolava um sorriso que eu não consigo nem se fizer teatro.

E cada frase é um pouco dos segredos que eu não queria guardar. E vou tentando revelar aos poucos. Na tentativa de fazer dispersa essa dor de cá. Encolhida, como uma menina que segura os joelhos no canto do quarto, agarrada a um urso de pelúcia, com medo do escuro e a espera dos pais que vão chegar, acender a luz, e acabar com a graça da existência de um bicho papão horrendo.

Daqui uns anos, os fatos virarão contos de antigamente. Nem sei se ainda vou querer contar a verdade. Talvez inventar um enredo novo seja até mais interessante e divertido também. E toda vez que eu parar para recontar, vai ter uma capítulo inédito, que só eu saberei descrever.

A minha história, afinal, é só minha.

Acreditar na intuição é fácil. Admitir os erros, perceber a cara de um não... não.

E revelar o incomum trai.



Ainda tinha a chapeuzinho vermelho da escada da frente. Ela pedia que contássemos uma história. E, ao longo do conto, ela se desfazia num líquido cor de vinho.

Tinha também, as pegadas no tapete deixadas pelas estátuas da Capela, e pra chegar até lá, era preciso passar por um longo corredor de portas laterais e janela no fundo.

4 comentários:

Veriana Ribeiro disse...

Havia medo nos meus sonhos infantis, mas eu já não os lembro mais. Não tenho mais medo quando durmo, agora só temo quando estou acordada.

...

A capeuzinho chegou pra mim e disse:
- vc viu o lobo?

E com um sorriso eu respondi:
- Só em meus sonhos.

...

Gostei muito do texto. Me deixou ate inspirda ^^

beijos! E obrigada pelo comentario. foi bem animador

jeronymo artur disse...

belas palavras escritas.. ^^
não lembro de ter te conhecido poetisa, aliás não lembro do que havia no seu antigo blog.


meu blog tá lá, voltei a escrever hoje.
e vim avisar que seu texto chamado gabriela me deu uma inspiração.. ^^
lhe darei os devidos créditos! ;*

Suellen Verçosa disse...

Dos segredos que guardamos...
Sempre há um ar de ternura, medo e encanto...

Difícil é guardar todos numa prateleira...

Eles se quebram...ou trincam como seus copos de plástico...

Mas sei que na companhia dos ursinhos de pelúcia...grandes mulheres se fizeram hoje...

Exemplo de uma delas: Você!!!


Bjus enormes...

Kaline Rossi disse...

Precisamos beber giselle!
Sair e beber!
ahhhhhhhhhhhh
=(